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dezembro 08, 2011

Havia uma menina de saia vermelha e sabrinas brancas e havia uma tenda circense goliacamente arcoírica.
A menina tinha nascido duma arrebatadora paixão do homem bala pela trapezista equilibrista. E, em pequena, a mulher barbuda oferecera-lhe um jogo de facas.
Mas era por demais desastrada, cortando-se  de incontáveis vezes e maneiras. Os pais, preocupados com o xaile de cicatrizes que ela já tinha, rogaram-lhe por tudo que mudasse de arte. Ao que ela, numa agridoce simplicidade, lhes replicou:
- Deste xaile que me pesa aos ombros mais são as malhas tecidas por outros que pontos dados por mim. Mudar de arte, meus pais, só se criarem um número de engolir sapos, pois já quase não choro ao fazê-lo.
Colocando, a cada, um beijo na testa, rodou a saia vermelha na ponta das sabrinas brancas. Saiu da gigantesca tenda arcoírica e encarou o monocromático mundo que reinava fora desta.
- Adeus meus pais, vou antes plantar saudade, vou plantar cravos.



Borrega

novembro 13, 2010

Cacos de Porcelana

Pt.I - [...]

Apetece-me berrar, mas para alguém que já rebolou num mar de silvas é picuinhas berrar por meia dúzia de espinhos...
Mesmo assim apetece-me, apetece-me muito. Contudo não vou quebrar, não posso cair de novo. Isto é só o eco de saber que não te posso mais ter nos braços, não como já te tive. Que não posso mais ver os teus olhos a mudar para verde com a luz do sol, que não posso mais ouvir a tua voz no meu ouvido, sentir o teu cheiro...
Paciência!
Porque tu me relembraste (entre muitas coisas) que em mim tenho tudo o que preciso para me aguentar de pé.
É por isso que te chamei...
... Redenção ...

Pt. II - "Just because it felt good, doesn't make it right"

Todos nós temos pequenos prazeres mundanos. Beber um café e fumar um cigarro é um deles e enche cafés, e enche esplanadas, espreita a cada esquina, em cada rua.
Tu foste pensativo cigarro, fumado à janela enquanto eu bebericava o meu café. Despertaste-me do tropego sofrimento em que eu mergulhara. Tu deste-me Vida...
Não fizeste promessas, vieste e foste, tentando não magorar mais, não piorar o que já doí-a (doera?!?) por demais.
Plantaste Vida, deste-me força para [re]erguer o que tive de deitar abaixo.
Agora resta o agridoce sabor da cafeína e da nicotina...

Obrigada por tudo .


(farinha do mesmo saco)

Borrega
(23/02/2010)

setembro 06, 2010

Noite sem Norte

- És uma merda! Fizeste merda!

Oriana está a ser ditatorial consigo mesma e sabe disso.
Não são os mexericos nos corredores que a constrangem, mas sim a vergonha que tem de si mesma neste momento.

- Por um momento quis não ser tão consciente, quis não ser tão eu... Fiz merda!
- Oriana...
- Não adianta, não vai ser com palmadinhas na cabeça que isto vai lá. Mandei às urtigas as coisas em que acredito. Magoei-me a mim mesma... Burra de merda! Infantil! Imatura!
- Oriana, já foi... Já passou.
- Dói...
- Está viva, é óbvio que dói. Tu auto-retalhaste-te!

A Consciência assume agora um tom ainda mais severo que o dela.

- Porque raio fiz merda?
- Tu sabes. Estava a doer, mas não o suficiente. Agora é agoniante, tira-te o sono, sentes-te uma merda, recuperarás melhor. - Hesita. - Espero...
Este erro não muda a pessoa que és, vai-te sim fortalecer.
- Não me sei perdoar.
- Pode ser que desta aprendas a fazê-lo, era importante sabes?!
- Olho para trás e não me reconheço naquilo, não me revejo.
- Obviamente que não trenga. Querias ser alguém que não és, por momentos foste... Foi uma merda e sentes-te uma merda porque tu estás bem como és! Now move on! Aprende com isto e não tenhas medo de pedir ajuda...

Oriana suspira, com a mão sobre o peito afligido...

- Fiz merda! - suspira - Paciência, isto quer é dias passados.


Oriana...

Borrega
(01/03/2010)

julho 21, 2010

Dark Side Of The Moon

"Todos a mandam calar, todos a mandam guardar para si. Será que não percebem que precisa de gritar, de matar a dor que a queima? Vai rebentar, sente-se sufocada...
Todos a mandam calar...
Corredores com gente que não a conhece, que não a percebe. Alguém murmura:
- Vais comer?
- Tenho fome! - responde também num murmúrio apático.
É claro que tem fome, tem fome de si, forte, cheia, completa. Agora é vazio, oca e incompleta.
Os pedaços que deu ninguém lhos devolve, mas também ninguém lhe tira o que viveu!!"

2009, algures depois de Maio, no
meu período "Dark Side Of The Moon"...


(sacaninhas)

Borrega
Créditos:
Música: Pink Floyd - "The Dark Side Of The Moon"

junho 27, 2010

Abate


Abateu.
Por vezes volta, aquele vazio, aquela memória saudosa.
Volta, aliás tenta [re]volver.
Mas não a deixo, porque já comecei a lavrar a terra, já (re)iniciei a plantação...
Não será o teu caos, anjo infernal, que abaterá o meu jardim babilónico [...]
Abateu, não é o termo correcto:
Descaiu.
Acontece e, quando acontece, sabes que se faz?
Aduba-se a terra, cura-se as pragas.

(farinha do mesmo saco)





Borrega
(18/02/2010)

P.S.- não és tu que voltas, mas sim os dilemas que enfrentei e aí, revejo as conclusões, revejo as aprendizagens.

junho 26, 2010

Little Microscopic Shit, Big [Huge?] Damages...

(lmsbhd)


(Nova "coleira" e porquê?)

Nas férias da Páscoa resolvi organizar as folhas soltas em que rabisco e passar para um caderno específico textos antigos.
E nas folhas soltas me perdi, a mim e a umas quantas lágrimas matreiras, em alguns rabiscos esquecidos de tempos perdidos. Tempos que provocaram alterações em mim...
Das primeiras coisas que me veio à cabeça foi: "Little Microscopic Shit, Big Huge Damages"!
E assim será: nesta coleira vão ficar esses sacaninhas que me arrancaram uns suspiritos e umas lagrimitas e, a partir de agora, juntar-se-ão a eles todos os que forem farinha do mesmo saco...

Borrega

ALERTA: escrita possivelmente mais confusa que o costume!