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janeiro 15, 2011

Secret Sigh


Tenho saudades tuas (...)
(...) Das tardes silenciosamente acompanhada, dos passeios, do sol a nascer sobre nós.
Tenho saudades, tenho tido saudades, muitas.

Oriana...
(19/03/2010)



P.S. - E assim como o sol nasceu e se pôs sobre nós, também as saudades se puseram e não mais nasceram...
(15/01/2011)

Borrega

Créditos:
Imagem: daqui
Post: mais uma carta para a caixa...

janeiro 09, 2011

Lost Whises ...

«Palpita doce no peito, ofega plo leito. Corpo teu, perfeito remédio para o meu... Unguento milagroso para esta ferida que é fome de dar, de amar...
Mas estou perfeitamente em mim, não te tenho, nem ao abrigo do teu corpo prazenteiro. Desejo carmim, desta minha ternura sem fim, desta menina querubim.

Meus ouvidos têm saudade da brandura da tua voz e da tua boca que era foz de um mar de palavras do teu fundo... Beijos e carinhos postos em mim.

Hoje adormeço assim, hoje tenho a sensação de ti em mim.»




E a mulher à beira rio, pés a chapinhar na água, enrola aquele pergaminho e deposita-o numa garrafa. Tapa-a e entrega-a ao rio.

Oriana acorda, já não está no rio à beira jardim.
Por onde andará a garrafa, já estará no mar?

Oriana...

Borrega
(14/04/2010)
Créditos:
Imagem: daqui

novembro 28, 2010

Sozinha, não só

- Estou sentada num sofá, sozinha. - escreve Oriana.

Suspira e retoma a escrita.

- Mesmo que estivesse num café apinhado, numa mesa com um grupo alegrado, continuaria sozinha. E isso não tem mal, isso é normal: estamos todos sozinhos, sozinhos na nossa individualidade, no nosso caminho. Estou sozinha, mas não estou só. Estar só é o verdadeiro problema. Estar só é não ter fé, é estar mergulhado numa agonia e num vazio golíacos. Estar só é não ter caminhos paralelos ao nosso, é não nos fazermos companhia a nós próprios, é abandonar-nos. Agora sei estar sozinha. Tinha-me esquecido como era, mas tu relembraste-me, reensinaste-me.

Fecha os olhos, relembrando-o. Encara a folha como se lhe visse os olhos ensolarados.

- Estou sentada num sofá, sozinha. Aliás, comigo.

Oriana...
Borrega
(19/03/2010)

Créditos:
Imagem: daqui

novembro 13, 2010

Cacos de Porcelana

Pt.I - [...]

Apetece-me berrar, mas para alguém que já rebolou num mar de silvas é picuinhas berrar por meia dúzia de espinhos...
Mesmo assim apetece-me, apetece-me muito. Contudo não vou quebrar, não posso cair de novo. Isto é só o eco de saber que não te posso mais ter nos braços, não como já te tive. Que não posso mais ver os teus olhos a mudar para verde com a luz do sol, que não posso mais ouvir a tua voz no meu ouvido, sentir o teu cheiro...
Paciência!
Porque tu me relembraste (entre muitas coisas) que em mim tenho tudo o que preciso para me aguentar de pé.
É por isso que te chamei...
... Redenção ...

Pt. II - "Just because it felt good, doesn't make it right"

Todos nós temos pequenos prazeres mundanos. Beber um café e fumar um cigarro é um deles e enche cafés, e enche esplanadas, espreita a cada esquina, em cada rua.
Tu foste pensativo cigarro, fumado à janela enquanto eu bebericava o meu café. Despertaste-me do tropego sofrimento em que eu mergulhara. Tu deste-me Vida...
Não fizeste promessas, vieste e foste, tentando não magorar mais, não piorar o que já doí-a (doera?!?) por demais.
Plantaste Vida, deste-me força para [re]erguer o que tive de deitar abaixo.
Agora resta o agridoce sabor da cafeína e da nicotina...

Obrigada por tudo .


(farinha do mesmo saco)

Borrega
(23/02/2010)

outubro 18, 2010

{Rápidas carícias dos instantes volúveis}

O dia já ia alto quando foi acordada com um beijo terno nos seus lábios adormecidos. O corpo, antes lassamente adormecido ao seu lado, estava agora sobre ela, olhando-a com toda a ternura que se possa imaginar espelhada no mar dos seus olhos e a tentar dar-lhe o mais calmo despertar possível...

Retribui-lhe com um beijo cálido e apaixonado...

[Epitáfio ao texto Ela e "Qualquer Coisa"]

Borrega
(2008/09??)

Créditos:
Imagem: daqui

setembro 06, 2010

Noite sem Norte

- És uma merda! Fizeste merda!

Oriana está a ser ditatorial consigo mesma e sabe disso.
Não são os mexericos nos corredores que a constrangem, mas sim a vergonha que tem de si mesma neste momento.

- Por um momento quis não ser tão consciente, quis não ser tão eu... Fiz merda!
- Oriana...
- Não adianta, não vai ser com palmadinhas na cabeça que isto vai lá. Mandei às urtigas as coisas em que acredito. Magoei-me a mim mesma... Burra de merda! Infantil! Imatura!
- Oriana, já foi... Já passou.
- Dói...
- Está viva, é óbvio que dói. Tu auto-retalhaste-te!

A Consciência assume agora um tom ainda mais severo que o dela.

- Porque raio fiz merda?
- Tu sabes. Estava a doer, mas não o suficiente. Agora é agoniante, tira-te o sono, sentes-te uma merda, recuperarás melhor. - Hesita. - Espero...
Este erro não muda a pessoa que és, vai-te sim fortalecer.
- Não me sei perdoar.
- Pode ser que desta aprendas a fazê-lo, era importante sabes?!
- Olho para trás e não me reconheço naquilo, não me revejo.
- Obviamente que não trenga. Querias ser alguém que não és, por momentos foste... Foi uma merda e sentes-te uma merda porque tu estás bem como és! Now move on! Aprende com isto e não tenhas medo de pedir ajuda...

Oriana suspira, com a mão sobre o peito afligido...

- Fiz merda! - suspira - Paciência, isto quer é dias passados.


Oriana...

Borrega
(01/03/2010)

agosto 24, 2010

Mendigos

à Lau e a toda a familia Costa
ao Sérgio e aos pais Amorim

Stª Quitéria.

Os bancos ladeiam os jardins centrais em extensão indiana. Pessoas passeiam-se nesta noite serena de Verão.
Respira-se a calma pelas conversas e risos que passam, a inconsequente juventude nos peões feitos no estacionamente de terra batida.
Caminhei com esta familia por entre outras tantas familias. Sabe bem a companhia de gente assim: simplesmente simples!
Agora também eu, tal como o pai e a mãe, a par da irmã e do irmão, somos um alinhamento indiano paralelo a um banco.
Ele e ela transpiram alegria e cumplicidade em duas vozes de deslumbre. Ela pousa, rindo esbelta, a mala no chão. Pode ser que ponham moeda. Eheh!
E vão desfilando músicas e músicas...
Tenho sorte de conhecer "mendigos" assim!

Borrega
(19/07/2010)


agosto 14, 2010

A água reclamava contra a proa, o mar estava revolto. O vento corria solto...
Estou na praia, sentada à beira mar. O cabelo voa ao sabor do vento.
Esta maresia é alento, é fogo que lento me aquece a alma e ela, criança!, bate palmas.
A água reclamava contra a proa...

Borrega
(26/07/2010)

Créditos:
@Foz do Arelho

agosto 11, 2010

Suzanne

"Suzanne takes you down to her place near the river
(...)
And you know that she's half crazy
But that's why you want to be there"



Viste-a, doida queda, sob o sol de Julho.
Ferida no orgulho, desprovida de si, pensando-se desprovida de tudo.
Viste-a, Lunática, sofrendo aquela dor apática... Sentaste, ficaste, serenaste.
Ela viu-te, pequeno dolorido, menino perdido, e pegou-te na mão. Pousou lá o ensangue coração.
Mãos dadas, tardes passadas, feridas indo sendo saradas.
A lunática queda e o menino perdido, mudam-lhe o rumo: já não vão juntos, já não vão de mão dada.
Mas ela, assolapada pelo olhar solarengo do menino, ainda o leva a ver os bateis que vão cavalgando as ondas...
Pede-lhe a mão, pede-lhe para que lhe deixe repousar o coração.
Diz-lhe que não pode, que não faz sentido, não lhe pode satisfazer o pedido...
Ela, doida como sempre, lunática impaciente, pega-lhe a mão, estende-lhe a palma ao sol, entrega-lhe os mais lindos versos que traz na alma...
É teu, pequeno menino que vagueias sem destino. Eu aqui fico, numa mesa a beber chá, eu aqui fico: [l]o[u]ca sem ti[no]...


"And just when you mean to tell her
That you have no love to give her..."


Borrega
(10/05/2010)

Créditos:
Música: Leonard Cohen - "Suzanne"
Imagem: daqui

agosto 07, 2010

Hit the road...

"Hit the road, Jack
and don't you come back no more, no more, no more, no more
Hit the road, Jack
and don't you come back no more"

Vai-te embora.
Não voltes. [volta, volta, volta...]
Arrecada todas as tuas coisas e vai: põe o pé na estrada!
Não quero mais arrepios, calafrios.
Dispenso os joelhos a tremer, o coração a bater descompassado, o respirar atabalhoado.
Dispenso... [minto!]
Arrebanha os farrapos que ficaram, vai: põe o pé na estrada!
Deixa-me triste de vez, não voltes esta e outra vez...



Não mais amar[-te],
Não mais me dar,
Não mais errar,
Não mais!

"Well, I gess if you say so
I'd have to pack my thing and go"


Borrega
(escrito por Fevereiro, completo hoje)
Créditos:
Música:
Ray Charles - "Hit the road Jack"
Imagem: Johnny Depp & Kate Moss, by Annie Leibovitz

julho 31, 2010

Desesperadamente Júlia


Sozinha num quarto, olhos fitos no tecto, pequena perante o fardo que lhe aperta o peito, Oriana chora.
- 'Vó, porquê? Saudades de ser pequena, de quando o avô me levava às cavalitas ou na bicicleta, de quando o pai me lia histórias... - soluça, assoa-se. - O "Dumbo" era a nossa favorita. De quando a mãe me aconchegava e me chamava de "torrãozinho de açúcar". 'Vó, porquê? Saudades de ti e do braseiro onde aquecíamos os pés. Saudades de correr 'pó tio quando ele chegava fardado. Saudades, saudades, saudades... 'Vó...
Na penumbra do quarto, tenta respirar, arfando enquanto procura novo lenço de papel.
- 'Vó roga por mim... Toma conta de mim.
Levanta-se, veste umas calças de ganga, pega num casaco e sai para a noite fria...

Oriana...

Borrega
(15/10/2009)

P.S.- À minha Bis-avó Júlia. Tenho saudades!
Preciso de ir ver-te.

Créditos:
Música: Biffy Clyro - "
Diary of always"
(Não conhecia a banda, hoje resolvi experimentar e esta era a que estava a passar enquanto postava... Gosto!)

julho 28, 2010

Candeeiro

Parada debaixo de um candeeiro, perto duma estação sem comboios, está uma miúda mediana, actualmente mais para o gordita, com um guarda-chuva. A confusão está a berrar-lhe muito alto na cabeça, no corpo, na alma. E nem a música nas alturas acalma o tumulto.
Parada debaixo de um candeeiro, perto da estação, está uma miúda à espera que lhe venham indicar onde é o restaurante. Quem a olhar , ali parada, de guarda-chuva na mão, perdida pela música que lhe berra aos ouvidos não diria que, há menos de uma hora, ela chorava no chuveiro... Quem olhar não perceberá, mas perceberá que ela está à espera...
... À espera de quem a vê[ja]...

Borrega
(20/03/2010)

julho 15, 2010

Quereres...

Quero escrever sobre o dia e a noite.
Sobre tudo e nada, contar histórias de outrem, d'outros alguéns...
Farta de escrever de ti e de mim, de nós, de mim só...
Quero escrever sobre o sol e a lua, sobre um rio que no mar desagua...
Quero escrever... vidas, Vida!!
Então:
Estavam eles, em roda da mesa de café.
Guitarras, pandeiretas e bandolim, vozes e alguns desafinos e afins.
Oh!, e as maracas!
Tocando, experimentando, treinando, ensaiando.
Eles na mesa de café.

Borrega
(13/05/2010)

Créditos:
@Miralvão

abril 02, 2010

Back to basics!

E o calor desce-lhe, doce, garganta a baixo...
És tu doce infusão, principio num fim, pões fim num principio.
Saras, curas, ficas de vigília, exasperas nos meus goles sôfregos, dormes nos pausados.
Tu, doce aroma de tom amarelado, porque volto sempre a ti. Já quase não te recordava o sabor adocicado, diabético devido aos meus habituais dois pacotes de açúcar por chávena. Já quase me esquecera... Quase já não me lembrava...
Aquele cheiro a chuva no cimento...
Aquele cheiro a chuva na relva...
A cacimba no corpo...
O vapor a bailaricar nos bordos da chávena e eu, eu perdida em dissertações sobre essa coisa que quero esquecida, essa coisa aquecida que é o [A/a]mor!

Borrega
(05/03/2010)

P.S.- ao Oscar, pela Paciência, Companhia e Amizade

Créditos:
Local:
Café Concerto
Bebida: Chá Camomila


março 06, 2010

[Olha para mim .]

"Everyone I know goes away in the end!"

Não me tirem o meu céu!
Não me tirem o chilrear das andorinhas pelas manhãs de Primavera.
Não me tirem!
Não me deixem órfã...
Cabocla livre pelos campos, corre ligeira precedida e perseguida pelos cachorros...
É feliz.
Procura nestas corridas e nestes passeios o bálsamo para as cicatrizes.
Que vêem-nas à distância, vêem-nas a olho nu.
Maldita transparência que tenta, infrutiferamente, esconder com a sua roupa negra, o seu riso fácil e os seus sarcasmos pungentes.
Não me tirem o meu céu!
Não me tirem o pôr-do-sol a doirar as laranjeiras.
Não me tirem!
Não me deixem órfã!
Não sei estar sozinha. "Mas estamos todos sozinhos.", dizem-lhe.
Contudo nesta solidão estamos todos juntos...
E como precisa, de vez em quando, da confusão familiar, de autoridade paternal... de companhia.
Maldito amor que me "prende", maldita mania de ver branco...
Não me tirem o meu céu!
Não me tirem as minhas pinheiras, cresci em cima dos seus ramos...
Não me tirem!
Não me deixem órfã...
Olha para mim.
Lê-me: sou livro aberto, sou corpo a descoberto.
Olha para mim.
Só fui órfã de mim mesma.
Só serei órfã se voltar a não acreditar que as minhas cicatrizes são deveras belas, que no meu peito cabe o mundo!
Olha para mim, pequena sobre um céu descomunal: o meu céu!
Meu, no meu peito, onde quer que eu vá.
Meu... da minh'Alma...

Borrega
(15/02/2010)

P.S.- "Larger than life"

Créditos:
Música: a voz dorida de Johnny Cash
Imagem: daqui

fevereiro 28, 2010

Aguarela.Quarela

Vejo em aguarela.
Os meus míopes olhos esforçam-se por ver através do vidro repleto de gotas que se abraçam para combater o frio externo.
Teimam em não ser neve.
A água estende-se quase até beijar o horizonte. Uma ilha divaga naufraga contemplada pela multidão de pinheiros circundantes.
Uns dedos tamborilam sobre o tampo da calma mesa dum café...
Um coração dá um pequeno baque instintivo, estende a mão...
O céu lava mágoas, começa lento, agora a chuva bate forte no vidro...
E neste frio chuvoso movido a ventos cortantes, a poetisa, que se acalma com dedos a tamborilarem-lhe a mão, que se acalma a bater tabaco, entoa o seguinte pranto:
"Talvez...
Talvez, um dia, grita a pequena que se sente desamparada.
Talvez...
Talvez, um dia, o sol gire em torno da terra e não o contrário.
Talvez um dia...
Talvez...
Eu te beije de surpresa...
Um dia,
Talvez...
Tu me queiras...
Talvez...
Um dia eu possa correr livre por um prado arcoírico de cravos desabrochados...
Um dia...
Quem sabe...
Talvez..."

Borrega
(04/02/2010)

Créditos:
Inspiração e paz: Alvão
Imagem: daqui

A ir? A ir é já!

Já...
Uma cascata congelada numa noite gelada.
Já...
Aquela lua descomunal, dum laranja quase irreal.
Já...
Noites ao som do rio, do coaxar e do teu cheiro familiar.
Já...
A ir?
A ir é já!
Correr pela noite direito ao mar.
Já...
Os ramos duma árvore para eu escalar.
Já...
Um colo quente para me abrigar.
A ir?
A ir é já!

Borrega
(18/02/2010)

Créditos:
Titulo: by Lau
Música: Incubus
Imagem: daqui

fevereiro 04, 2010

Don't call me...

"How can I try to explain cause when I do he turns away again
And it's always been the same same old story
From the moment I could talk I was ordered to listen

Now there's a way and I know that I have to go away"



« Que merda!
Só me apetece berrar...
Como raio te atreveste?
Como raio me atrevi... Eu, a besta do costume, subtil como o elefante que sou, falo da boca para fora, sou baixa, reles mesmo, miro-te o ego, magoo-te os sentimentos que sei meus.
Mas como, como não vês por trás a verdadeira intenção, a mão estendida, do meu jeito espinhoso. Tu sempre viste o cravo por trás das silvas e urtigas que pus em redor... Tu conheces-me! Eu sou cabeça quente, sou, tu sabes, como a mãe.
Não devia ter posto aquele tom, devia ter pensado mais... Devia...
Estou a chorar sobre o leite derramado. Foda-se!
Tu também não pegaste leve. Sabes bem que, nem que subas a voz apenas meia oitava, eu choro...
Contudo, fingi, mantive o tom firme, decidido, de mimada, egoísta, que guardo para regar as urtigas e as silvas. Ao telefone fica fácil. Tal como, ao principio da conversa, fingi que aquele "O pai gosta de ti." não me tinha derretido, tocado a alma, dando-lhe colo e abrigo.
Caramba pai!
Só queria voltar a ser aquela menina pequenina que te corria para o colo, que tu erguias no ar e abraçavas. Depois eu sorria de alma cheia, dava-te um beijo "à esquimó" e apertava-te os lóbulos das orelhas. Sempre adorei senti-los frios nos meus pueris dedos quentes!
Oh pai...
Detesto este meu orgulho de merda!
Pai... Também tenho saudades, também te amo...
Desculpa...»

Oriana está sentada sobre o tampo fechado da sanita, barricada no cubiclo do seu wc...
Esta é mais uma carta para a sua caixa...

"Don't call me daughter, not fit to
The pictures capeted will remind me"

Oriana...

Borrega
(25/01/2010)

Créditos:
Música:
Johnny Cash and Rosey Nix - "Father and Daughter"
Pearl Jam - "Daughter
Imagem: Johnny Depp

janeiro 29, 2010

Raizes Durienses


Num sofá que encara uma lareira viva, ela está com as costas recostadas num dos "braços" deste e as pernas pendentes no outro. De computador ao colo lê blogs, respira fundo e pensa.
A cadela entra sala a dentro.
Afaga-lhe a cabeça e, com um latido, ela pede-lhe que lhe abra a porta.
Fá-lo, sente o frio que faz lá fora, e volta para o sofá.
Amanhã há-de nevar, mas ela ainda não sabe isso. Há-de ficar impedida de voltar a Vila Real, mas também ainda não sabe isso. Por agora está apenas feliz por estar de volta a Santa Marta. É feliz aqui, sente-se bem, dá-lhe paz, a paz que precisa para se organizar.
Que raio é isso que se agiganta dentro de dela?
Fecha o pc.
(...)
Noite agitada, embora durma serena, sonhos turvam-lhe a mente.
Que querem dizer?
(...)
Neve. Acorda com o alerta de que neva lá fora. Corre para um mundo branco.
Anseia-o ali...
Gostava da mão dele na dela, passeando no branco.
Está difícil a volta a Vila, as estradas estão cortadas, típico.
Não é que se importe de mais uma noite nesta casa, de mais uma noite para pensar... Mas quer Vila e o colo da sua irmã.

Oriana e o branco Douro profundo.
Oriana e o abrigo da raiz que aqui tem.
Oriana e o branco.
Oriana e o imenso turbilhão que sente.

Oriana...

Borrega
(10/01/2010)

P.S.- Um obrigado especial à Loira e à sua casa


Créditos:
Cadela: Layla 25
Música: Pearl Jam
Imagem: daqui

janeiro 23, 2010

Desejo(s)


Queima.
Mas a ausência dá-se ao trabalho d'esfriar este calor terno que lh'adoça o peito. (Pensa ela!) Depois...
Depois não consegue dormir. Não lhe sais da cabeça, vagueias-lhe pelo peito.
O peito que quer ser teu porto d'abrigo, o peito que está lá, aberto de par em par, para que venhas e descanses os teus medos e das tuas batalhas.
E, quando vieres, ela abraçar-te-á e bastar-lhe-á que lhe sorrias com os teus olhos luz.
Oriana revira-se na cama, levanta-se e vem para o corredor escrever. Escrever sobre ele.
Oriana e o sentimento que lh'adoça o peito.

Oriana...

Borrega
(25/12/2009)
Créditos:
Imagem: Angelina Jolie