agosto 24, 2020

Das coisas que não te direi.

Minha pequena,

Estás a dormir nos braços do pai e a mãe teima nas insónias [e a falta que uma boa noite de sono lhe faz]. Normalmente nestas alturas escrever-te-ia um e-mail, mas hoje só me lembro dos  medo pelo rastreio bioquímico, ou que temi pelas vezes em que carreguei pesos, demorei mais um bocadinho para ir comer ou stressei pelas coisas mais idiotas, tanto em casa como no trabalho. Mas cada ecografia diziam que estava tudo bem e a mãe acreditou, porque a mãe sabia que sim, e assim que nasceste estavas tão calma como se soubesses onde estavas e que aqueles estranhos todos eram gente de confiança. As bolhinhas de saliva era o que me diziam. 

Tremi com o coronavírus, ninguém merece, mas para um bebé de 3 meses que todas as semanas saía de casa, se ver com uma recém-mãe que não sabe o que fazer não será das melhores hipóteses, mas tu aturaste-me e superámos . As consultas médicas em que temia o teu peso, as vacinas os problemas de saúde e saia de lá sempre com um, "é normal". 

Temi pelo primeiro dia de creche, o primeiro dia de volta ao trabalho, a primeira ida a casa da avó. E tu portaste-te como uma senhora, agarraste a minha cara, deste-me uma chapadinha e maior sorriso que nos derrete. 

Tenho medo de vacilar na tua educação, tenho medo de não ser suficiente para te manter saudável, tenho medo que não gostes de nós, tenho medo que não saibas escolher os amigos, que não entendas a diferença entre o bem, o mal e todo o cinzento in between. Tenho medo do que sei ser certo, que um dia chegará o dia em que quererás ser independente, tenho medo que um dia irás sair de casa, tenho medo que esse dia chegue cedo demais, tenho medo.das discussões que vamos ter, e dos segredos que me vais esconder.

Tenho tanto medo, E.

Pulga

janeiro 20, 2018

9


Hoje o estaminé faz 9 aninhos. 
Ainda hoje, e apesar da escrita já ser escassa, agradeço à Pulga por ter levado esta ideia avante.
Este nosso cantinho foi, e é, testemunho de alegrias, muro das lamentações, ombro amigo, carteiro sem folga...




Então ao Zoo e a "nózes": Parabéns!

julho 28, 2016

Agridoce

Quando me romperam o coração pensei que era a pior dor que ia sentir sempre, para sempre.
Mas hoje a vida sentou-me e deu-me uma lição tão grande…
Dor de amor amargo é tão ínfima comparada com a dor de romper os sonhos de alguém que é pedaço de ti.
Pegar num coração que ainda é criança e deitar-lhe em cima o ácido da adultez é, sem sombra de dúvida, a dor maior que vou carregar.
Protégémos-te tanto, demais até… E agora caiu a ficha e tive de te puxar o tapete…

Desculpa mas o amor, como a vida,  é um ananás, e estava na altura de parar de te o descascar…

Ai Shiteru (*) 





Borrega

janeiro 19, 2016

7 *




O nosso cantinho sopra hoje 7 velinhas (!)

                                                                                                                                                                  Pulga & Borrega 

maio 08, 2015

Chagas Cismadas

Todos temos uma chaga, uma dor,
A minha és tu meu amor
Carrego-a ao peito enchangue
Como orgulhoso santo num altar.

Teu nome é marca que me queimaram na alma,
Brado-o aos céus, grito-o ao luar
Quem me vê sempre em ti a cismar
Professa-me louca infeliz,
Há tanto tempo partiste de mim.

És cravo que me pregaram ao peito,
És cancro neste coração com defeito. 


                                                                                                        Borrega
                                                                                                       (18/06/14)

março 20, 2015

Efermidades

[Digo-o tantas vezes que enjoa e até enoja.]

Porque não se ama como da primeira vez.
Porque tudo o mais são réplicas de um sismo de larga escala, são recidivas d'um incêndio colossal.
E deambulamos por entre tremores e faíscas, em busca exasperada por mais uma dose, mais um chuto daquele sentimento bruto que nos tira o chão.
Quando te vi a silhueta no cimo da colina, nesse dia morri.
Padeço de ti ...


(18/06/14)
Borrega 
                                                                                                                               
                                                                                                                             

janeiro 19, 2015

Meia dúzia

Parabéns ao nosso cantinho. 

     

                                                                                                                                 Pulga & Borrega 

novembro 24, 2014

[EWBO*]

Hoje em dia, depressa me veêm enfadada com tudo e com todos, mas se resta a ponta de dúvida que te amo, ela evapora-se como gota d'água neste verão outunal. Pois ver-me-ão sentada nestas bancadas "sem fazer nada" e vão pensar-me aborrida.
Tolos.
Ver o teu pequeno ser cortar a água enquanto nadas é algo de fascinante. Nem que seja só pelo facto que estou presente, não só na tua perna, mas fisicamente. E ao ver-te andar tão seguramente relembro-me que és tu quem me salva sempre que estou a afogar. E ver-te desta bancada dá-me a certeza do que já é certo: a saudade e a distância não matam a ternura, o afecto, o amor.
Se te arrancam de mim morro.

'Mulher tu sabes o quanto eu te amo, o quanto eu gosto de ti.'


Borrega 


 

maio 16, 2014

Desabafo

Hoje é "jantar das mulheres"/"ladies nights".
Alguém pôs o seu nome na lista,  relembrando-a de que é gaja, cachopa, menina, mulher !
Doem-lhe os ossos daquela maneira velha e aborrecida de frete. Não lhe apetece... Não tem a ver com quem vai, vai a "raparigada" com quem se dá, gosta delas, mas não és tu minha irmã.
As nossas ladies nights são tão mais a meu gosto. Nós na cama a comer séries... sei que é por isso que já não vejo séries. Porque é tão fácil ser eu contigo, porque tu não atiras pedras (nem que julgues), porque contigo o facto d'eu ser um freakshow de manias estranhas e inseguranças parece normal. É tão fácil ser eu contigo.
Bem, mas este desabafo era suposto ser um ensaio do porquê de desgostar de ladies nights. Assim sendo:

1. A "produção" que (tecnicamente) implicam. Blush, masquera, high heels, vestidos, sexyness... são-me estranhas...

2. Porque vão acabar a querer ir dançar e eu não sei, nem gosto de dançar. Parece difícil para a humanidade aceitar isso, que pode haver alguém que não sabe, nem quer aprender a dançar. Como Darcy disse, até selvagens dançam.

3. O continuo da ideia de que uma mulher precisa dum homem para ser completa e o ror de casamenteirice que virá daí. Que me faz sentir Bridget Jones  a jantar com os seus amigos comprometidos.

E encerro o meu caso com um sincero: preferia ir ver uma futebolada e comer umas moelas com a rapaziada.

Borrega

(17/05/2014)

fevereiro 05, 2014

Emaranhado d'emoções


Borrega

janeiro 23, 2014

V

E este ano a data passou-nos! Mas já lá vão 5 anos.
Parabéns (atrasados) a nós e ao Zoo.



Pulga & Borrega

novembro 12, 2013

Miss Bossy Boots: The Grim Reaper Nurse Chronicles

No passado fim de semana estive de serviço. Os fins de semana são suposto ser dias calmos, pois não há a azáfama das chamadas para visitas médicas ou de outros serviços. 
As chamadas GP Practices (basicamente os médicos de família) estão fechados, para qualquer atenção médica, que não seja digna duma chamada ao 999 (equivalente britânico do 112) deve-se contactar o serviço de Out of Hours GPs (médicos de clínica geral de plantão, para a região em fim de semanas, noites, feriados e que tais).
Ora, este fim de semana, tive de contactá-los para dois pacientes. Quando os dois médicos chegaram lá se fez a examinação dos doentes e se solucionou as situações. Ao irem embora, um deles vira-se para mim e pergunta "És portuguesa, não és?".
Isto espantou-me por um motivo simples, neste ano e três meses que cá estou, a pergunta é sempre "És italiana? Espanhola?", mas nunca portuguesa.
Com o orgulho que tenho de ser portuguesa, respondi: "Sim, porquê?"
"Pela eficiência com que apresentaste os casos e falaste dos pacientes só podias ser portuguesa. Temos agora dois novos portugueses nas urgências, eles também são assim. A vossa formação é muito boa comparada à formação inglesa."
Poderia prosseguir e achincalhar os meus semelhantes (em titulo apenas), mas não o farei (muito!). Contudo, deve ser grande dor de cotovelo, isto é, se eles tiverem capacidade para discernir o abismo entre eles e nós. Ridiculamente fracos, incompletos e dependentes na sua limitadíssima prática. Eu teria vergonha se os meus próprios médicos preferissem enfermeiros de formação estrangeira. 

Pret à Mangê, Leicester
18 'hourish', 22/10/2013

Bossy Boots

[Borrega] 

agosto 15, 2013

We're not morning people but...

... gostamos de risos pela manhã.


[Always*]

Pulga e Borrega

julho 30, 2013

nonsensical rant



Cacos colam-se, feridas cicatrizam. 
Mas cicatrizes, além do impacto estético, implicam a perda da integridade da pele e tecidos subcutâneos, facilitam infecções. Tecido cicatricial é mais vulneráveis a perda sanguínea e tem sensibilidade diminuída.
Quando o tempo é de chuva dói-me tudo ...

Borrega

Créditos:

junho 26, 2013

Team and Theme song:


Porque mais logo o Zoo estará pela Bela Vista.
Inté .

Pulga e Borrega

junho 11, 2013

And I rest my case:



Borrega

março 31, 2013

Odisseia#11

"I've heard it said that you can't really have a true love unless it was a love unrequited. It's a harsh one, because then your truest one is the one you can't have forever."
Eddie Vedder on «Black»


Créditos:
Música: Pearl Jam - 'Black'
Imagem: from Tumbler
Borrega

janeiro 19, 2013

Quatro.

Uma festa, por mais pequena que seja, tem de ter música e este post é a nossa celebração de 4 anos de blog. Logo decidimos escolher 4 músicas cada.




Eu escolhi 4 músicas usadas pela Borrega:


e, eu escolhi 4 usadas pela pulga: 

Parabéns ao Zoo,
Pulga e Borrega

novembro 18, 2012

De ursos de peluche e super-heróis


Tomás é um pequeno rapaz de cinco anos. Hoje os pais quiseram trazê-lo ao rio. 

O pequeno Tomás tirou a roupa e pegou no seu pequeno urso de peluche e na mão da sua superprotectora mãe e correu para a àgua. Correu, que é como quem diz, que com a mão apertada da mãe e as pedras a espetarem-se nos pés, ele vai saltitando o mais depressa que pode.
O pai segue-os com um olhar enternecido e brincalhão. 
Assim que chegam à beira-rio, o pai convence o pequeno a deixar o Teddy em terra, que a àgua não é sítio para um urso de peluche. O pequeno cede, mas com algumas exigências - o pai vai ajudá-lo a mergulhar. Não que o Tomás tenha medo de mergulhar sozinho. Não, senhor! Mas  os ânimos dos pais ficaram muito mais apaziguados deste modo.
Tomás nada teme, porque os super-heróis nada temem. Sim, de noite, Tomás veste a sua capa e ao lado de Teddy enfrentam tudo o que dá medo - tanto a grandes crescidos como a crianças mais pequenas que Tomás.
Mas hoje, o seu pijama de super-homem, vai provavelmente ficar pendurado, pois o pequeno já vai bem aconchegado no mundo dos sonhos, depois da sua aventura no rio.

Pulga 
[a propósito disto]

novembro 11, 2012

K.

Toca-lhe na cara com as mãos molhadas, e encosta-se a ela como se ela a qualquer momento lhe fugisse da cama. Envolve-a com o seu braço e ela agita-se no seu sono. Não a quer acordar, ainda há tão pouco ela chegou e só têm estes bocadinhos para eles. Ele sabe que ela não tem tanta liberdade ou tempo como isso, para passar a noite com ele. Nem sequer de dia, caraças!
Sussurra-lhe palavras doces sem sentido ao ouvido. Ela faz biquinho com os lábios. Raios! Já está acordada. Encosta os lábios aos dela. Abraça-a e rebola para cima dela e volta a beijá-la, desta vez com mais intensidade. Passa outra vez a mão na cara dela, não está molhada, mas está gelada. Ela franze a testa, estica a mão na direcção da cara dele e ...




'Rrrrrrrr'
'Sim K., és o 'homem' da minha vida. Oh, que seria de mim sem ti, a acordar-me às..', faz uma pausa e olha para o relógio na mesa de cabeceira, '7h30.'
Passa a mão no lombo do gato, que se encosta e ronrona como um pequeno tractor. 
'Anda lá comer, gato do demo.' O gato ronrona ainda mais alto, se possível. Ela fita-o. 
'Ao menos, este seguir-me-á para sempre.' Pensa, enquanto esboça um sorriso.

Pulga