agosto 31, 2011

2. Crime Passional

Chega ligeiro, devagar, para a agarrar na anca. Cola-se a ela como um só. Ela sorri e continua a cozinhar, os amigos vieram jantar lá a casa e da sala ouvem-se os risos, a música na aparelhagem e os gritinhos histéricos. 
- Faz-me um favor e põe a mesa. Os pratos estão naquele armário, os copos no armário do lado, e os garfos naquela gaveta. - vai murmurando, apontando, sem se virar. 
- Que se passa, pequena? Estás distante..
Distante? Distante?! Não ouviu bem com certeza.
'Queres falar sobre distância?', murmura entre dentes, virando-se para ele. 'Distante andavas tu. Falavas de assuntos que não percebias e porquê? Para me tirares as calças. Meu grandessíssimo filho da mãe.', ergue a voz à medida que avança para ele, segurando a faca de amanhar a carne. 'Éramos história inacabada e tu foste a correr para os braços dela, sem pensar duas vezes, sem pensares em mim, sem pensares se havia salvação para nós.' Espeta a faca na perna, atingindo a femoral. 'Sangra até morreres, filho da puta, que nem ela te salvará.' Espeta-a novamente, desta vez nos genitais.
Afasta-se em direcção à sala, precisa de ir dar uma volta para desanuviar, mas volta para o jantar. Talvez uma das raparigas possa acabar o jantar, afinal a maior parte já está feita.
Quando sai de casa, ouve os risinhos na cozinha, aquele estúpido e aquela falsa. Ainda bem, que a convivência é rara. 
Raiva.

Pulga

agosto 30, 2011

1. Sad Love Song

Encosta a cabeça ao vidro do autocarro. Os fones tocam a música em alto e bom som. Tão alto e bom som, que ele é obrigado a tirar-lhe o fone do lado esquerdo. Entrou nesta paragem e ela não reparou. A pobre anda estafada de não fazer nada, e esta pequena fuga tirou-lhe o sono de noite para lho dar agora. 
Com delicadeza, pega na cabeça dela e encosta no ombro dele, enquanto lhe pega no mp3 e o desliga. Murmura-lhe a sua canção, assim ela até dorme melhor. Engana-se. Com um sorriso, ouve-se dois murmúrios descoordenados, uma voz rouca, típica de quem acordou. 
Os olhos mantém-se fechados enquanto ela canta, mas mesmo assim as lágrimas escorrem. Ajeita novamente os fones, liga novamente o mp3, e volta novamente o barulho. Ou a música. Ou o nada.
[Quem diria que já passaram dois anos?]
Os olhos vão ficar fechados até ao final da viagem, independentemente de tudo, esta é a fuga dela.
Negação.

Pulga

julho 17, 2011

Insónias


Desavenças vão e vêm, Maria Soraia, mas não te deviam tirar o sono. Que a noite já vai longa e que ainda estranhes a cama ainda vá que não vá, agora não te metas em pensamentos desenfreados, desaconselhados, desapercebidos, que por esse caminho Soraia Maria, já andamos muitas vezes, e continua como mata virgem, nunca antes pisada.
Apaga essa luz que te chateia e desliga-me esse som que já irrita. Amanhã quando acordares, se voltares a pensar nisso, o banho será a solução. Hoje remendeia-se com uma história às três pancadas.


Pulga

julho 05, 2011

Esquadrilha aquela memória como um podengo fareja um coelho entre as silvas dum prado.
Tudo à volta se tornou num borrão, como se aquela feira barulhenta fosse um quadro a óleo à chuva de Novembro. Só aquele metro quadrado em que se cruzou com aquele desconhecido era nítido na sua cabeça.
Há uns anos atrás achava que aquelas cenas de filmes em que duas pessoas se cruzavam e o tempo parava eram uma parvoíce "romântico melancólica" de um qualquer movimento lamechas do cinema. Contudo, a algazarra antes vinda da feira era agora surda, o borrão era estanque.
Cruzei os olhos com os do desconhecido e, naquele segundo, pensei que o conhecia. Àqueles olhos azuis, àqueles lábios carnudos que se entreabriram como quem me ia falar. Mas eu não consegui emitir uma palavra e ele também não o fez.
O segundo romântico-melancólico passou, a chuva de Novembro parou, a algazarra gritou que era feira de São Pedro nas ruas.
Afinal era só um desconhecido, mais uma pessoa na multidão.

Borrega

Créditos:
Música:
Guns and Roses - "November Rain"
Diabo na Cruz - "É tão lindo"

junho 28, 2011

2 meses

E assim...
(#som dum estalar de dedos#)
...foste-te.

Não tinhas o nome de nenhuma tribo índia norte-americana como todos os outros. Eras uma fada, mas tão livre ou mais que todas as índias da história juntas, tão ou mais guerreira que todas elas juntas e, sem dúvida, tão ou mais impetuosa!

Riona Maria
, minha gazelinha de Thompson...
Tenho saudades Alpha da nossa matilha... perdão, Tribo!

R.I.P. - Riona
(05/05/2005 - 27/04/2011)

«Indian, indian, why did you die for?
Indian say: "nothing at all."»
Jim Morrison

Borrega


maio 25, 2011

'Inner Glow' *


'E hoje...', começa na esperança de entrar num assunto mais sério. 'Hoje aconteceu-me isto...', e enquanto vai relatando os factos para entrar no verdadeiro assunto, é interrompida.
'Sim, mas aconteceu que...', volta ao ataque. Não tem culpa, nunca foi uma
pessoa de ir directa ao assunto e sempre teve esperança que a ouvissem em tudo, desde as teorias sem nexo passando aos assuntos de maior valor, tal como ela faz a todos. Nunca teve essa sorte, e por isso guarda para si.
E é quando chora no silêncio escuro do quarto, que alguém lhe pergunta 'Que se passa?'. Ora agora? Pois agora já não se passa nada. Dêem-lhe só férias, que é de férias que ela precisa.




Pulga

*Título da música dos Blue October que tem este verso no refrão: 'if you fail, at least you tried'

maio 17, 2011

Ao estilo do Facebook II

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... e publicar no blog.
Pulga