junho 06, 2009

in memory...

Não te queria, não te gostava, não te amava. Já te disse que não te amava? Mas mesmo assim nada pude fazer contra ti e tu foste ficando.
Cresceste tanto, livre por entre as ervas, saltavas, pulavas.
Rorronaste no meu colo, procuraste o meu abraço, vinhas para te roçares nas minhas pernas mesmo quando não era bom para ti. (acho que o Apache não te queria lá!!!)
E é assim que te lembro, encostado às minhas pernas...


'Mikasi, tenho saudades...

Borrega
Créditos:
imagem: Kurt Cobain

junho 05, 2009

Finais felizes


Olha pela janela. O tempo não agoira nada de bom. Mas ela acredita que ele virá, não montado num cavalo branco, nem de árvore em árvore, mas ele virá.
Enquanto ele não vem, ela está com o seu livro no regaço, o vento muda-lhe as páginas, abrindo na última página:
‘E viveram felizes para sempre.’
Riu-se. Aquilo sim dava para umas boas gargalhadas. Os risos esfumaram-se em memórias…
A campainha fê-la despertar.
Demoraste’ disse enquanto se aninhava nele.
Desculpa’ sussurrou-lhe enquanto a envolvia nos braços.
[Era este o agora que precisava e não um final para sempre, feliz ou não.]


Pulga

Sigh...

Inspiração... Distracção... Divagação... Tudo me corre pelo pensamento menos o que devia: os slides de anatomia que devia estar a estudar.
Apetece-me gritar, rir, correr livre pelos campos que estão, lá ao longe, nas traseiras da minha casa.
Apetece-me um bom livro, um bom filme, um bom café à lareira, uma boa noite de sono. Apetece-me um bom jantar no italiano, apetece-me sentir a cabeça de alguém a repousar no meu regaço, enquanto os meus dedos se enredam pelos seus cabelos.
Apetece-me viver, correr contra a corrente, cair, esfolar-me, levantar-me e tornar a correr engolindo as lágrimas que, entretanto me caem pela cara sempre de pirralha.

Apetece-me...

Apetece-me...

Apetece-me...
Borrega
p.s.- apetece-me, mas vou engolir essa vontade e voltar pa anatomia...
ahh, and this is kind of dedicatory...

Uma tarde de Verão...

Sentadas num café, elas estudam, quer dizer tentam, ou melhor fingem...
Estão como o tempo. Olha-se pela janela e veêm-se as caracteristicas nuvens de Verão, quase negras de tão cinzas e o gélido vento cortando as folhas e fazendo-as elevarem-se em perdidas danças aéreas.
Ironia e sarcasmos à parte, elas são mesmo esquisitas, falam por citações e letras de músicas, riem que nem tolas para depois chorarem que nem madalenas. Vivem diferente, vivem à frente... Pobres iludidas! Hão-de penar tanto, hão-de vergar tanto sob a vardasca madrasta da vida e, se ainda se tiverem uma à outra, hão-de erguer-se e sorrir-lhe.





Borrega
P.S.- Vai ficar tudo bem...

junho 03, 2009

Espera

‘Prometeste que ia passar. Tu prometeste.’
‘Eu sei. Eu sei que vai.’
‘Mas ainda não passou!’
‘Não tens ainda a consciência pesada?’
‘Talvez. Mas não falam comigo…’
‘… E descarregas em cima de mim?’
‘Desculpa.’

Caiu-lhe nos braços. Ele afagava-lhe a cabeça como um irmão. Ela continha as lágrimas. Não, não iria chorar ao colo dele. Não dele.
Ele murmurava-lhe. Não havia risos. Não havia conversas sobre nada. Era uma conversa séria.
‘Quando quebras os princípios. Não és tu. Dói. É difícil de recuperar. Mas recuperas. Tu tens princípios. Por muito mal que ele tenha feito, tu sabes que lhe tens de contar.’
‘Eu sei.’
Soluçou-lhe.
Apertou-a de lado. Levantou-a. ‘Anda.’ Disse-lhe na sua voz rouca. ‘Consegues, não consegues?’
‘Sim. Claro que sim.’
‘Então de que te queixas? Tens tudo o que precisas. Porque insistes naquilo que não tens e te está distante?’
‘Não sei. Não sei. As minhas certezas à muito que se desvaneceram. As coisas mudaram, avançaram, e eu continuo ali, onde tudo era feliz, mas já não o sou. Avançaram e eu fiquei parada e agora… Agora acho que já não apanho o ritmo… Achas que ele abrandará para me levar?’
Ela atrasou. Ele deu mais uns passos e parou. Ali estava a sua resposta. Era nas pequenas coisas que ele fazia, nos movimentos lentos, nas palavras soltas vividas que ela encontrava as respostas nele. E tal como ele, o tempo esperaria por ela.


Pulga

junho 02, 2009

Encontro na rua

E, nesta rua cheia de gente, caminho.
E, nesta rua cheia de gente, todos vão para algum lado, todos caminham para alguém e eu? Eu vou para quem?
Aí está, não vou para ninguém, deambulo sem parar, deambulo até te encontrar. Foste tu que, mais uma vez, me encontraste, és sempre tu que me encontras.
Abraçaste-me, depositaste-me um beijo na cabeça e eu voltei a querer andar.
Continuo a amar-te, vou amar-te sempre. Foste o primeiro, contudo ontem fiquei feliz apenas porque senti o meu melhor amigo de volta... Isso é tudo o que quero.




I Walk Beside You

Obrigado!




Borrega

Deitada no egoísmo

O cobertor verde, sobre o manto não menos verdejante do jardim, serve de aconchego à jovem nele deitada.
Ar distante, pensativo, de macambúzia introspecção… Ouvem-se-lhe os pensamentos nos olhos castanhos:
- E os teus ideais utópicos? E a fome no mundo? – atira-lhe a Consciência.
- E a fome da minha alma? Quem me a mata, quem me a estanca? – arremessa-lhe egoticamente a jovem.
- Oriana… - geme-lhe maternal a Consciência.
- Deixa estar! Deixa sangrar! – grita de forma acesa.

“Oriana…”

Borrega
Créditos:
Música: Beatles - "Let it be"
The Rolling Stones - "Let it bleed"