junho 03, 2009

Espera

‘Prometeste que ia passar. Tu prometeste.’
‘Eu sei. Eu sei que vai.’
‘Mas ainda não passou!’
‘Não tens ainda a consciência pesada?’
‘Talvez. Mas não falam comigo…’
‘… E descarregas em cima de mim?’
‘Desculpa.’

Caiu-lhe nos braços. Ele afagava-lhe a cabeça como um irmão. Ela continha as lágrimas. Não, não iria chorar ao colo dele. Não dele.
Ele murmurava-lhe. Não havia risos. Não havia conversas sobre nada. Era uma conversa séria.
‘Quando quebras os princípios. Não és tu. Dói. É difícil de recuperar. Mas recuperas. Tu tens princípios. Por muito mal que ele tenha feito, tu sabes que lhe tens de contar.’
‘Eu sei.’
Soluçou-lhe.
Apertou-a de lado. Levantou-a. ‘Anda.’ Disse-lhe na sua voz rouca. ‘Consegues, não consegues?’
‘Sim. Claro que sim.’
‘Então de que te queixas? Tens tudo o que precisas. Porque insistes naquilo que não tens e te está distante?’
‘Não sei. Não sei. As minhas certezas à muito que se desvaneceram. As coisas mudaram, avançaram, e eu continuo ali, onde tudo era feliz, mas já não o sou. Avançaram e eu fiquei parada e agora… Agora acho que já não apanho o ritmo… Achas que ele abrandará para me levar?’
Ela atrasou. Ele deu mais uns passos e parou. Ali estava a sua resposta. Era nas pequenas coisas que ele fazia, nos movimentos lentos, nas palavras soltas vividas que ela encontrava as respostas nele. E tal como ele, o tempo esperaria por ela.


Pulga

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